1923 – Hitler tenta, sem sucesso, aplicar golpe de Estado em Munique

Hoje na História: 1923 – Hitler tenta, sem sucesso, aplicar golpe de Estado em Munique

Em 9 de novembro de 1923, Adolf Hitler, um agitador obscuro, desafia a polícia de Munique na frente de três mil pessoas e em companhia do prestigioso general Erich Ludendorff, considerado pelos alemães um heroi na I Guerra. O episódio fica conhecido como “Putsch da Cervejaria”, ou “Golpe da Baviera”.

Conjuntura

1923, que os alemães apelidaram de “ano desumano” havia começado mal. Em 11 de janeiro, as tropas franco-belgas ocupam a bacia do Ruhr, principal fonte de riqueza do país, a fim de obrigar os alemães a pagar as reparações de guerra que o Tratado de Versalhes os havia condenado.

A instabilidade política e a “resistência passiva” à ocupação estrangeira levam a greves por todo o país assim como a uma vertiginosa alta de preços.

Em outubro de 1923, era necessário algumas dezenas de milhares de marcos para comprar um dólar americano ou um filão de pão. Esse contexto encoraja a ação revolucionária.

Wikimedia Commons

Hitler em atividade de propaganda em Munique, em 1923

Em Berlim, o presidente da República Friedrich Ebert e o chanceler Gustav Streseman decretam Estado de Urgência em 26 de setembro, enquanto o economista Hjalmar Schacht tenta estancar a inflação criando uma moeda provisória, o rentenmark. A Baviera recusa o que chama de ‘‘ditadura dos prussianos de Berlim’’ e proclama no mesmo dia seu próprio Estado de Urgência, entregando poderes ditatoriais a um triunvirato formado por Gustav von Kahr, o general Otto von Lossow, comandante do Exército, e o coronel Hans von Seisser, chefe da polícia.

A ameaça do separatismo bávaro paira sobre o país. É o momento que Hitler escolhe para se apoderar do poder em Munique.

O golpe fracassado

Em 8 de novembro, em uma grande cervejaria local, a Bürgerbraükeller, três mil pessoass ouvem o triunvirato.

A cervejaria é brutalmente invadida pelos militantes do partido nazista. Seu chefe, Hitler, sobe a um estrado. Revólver em punho, ele empurra os dirigentes bávaros a uma sala e os intima a entregar-lhe o poder, porém os dirigentes resistem. Desconcertado, Hitler tenta na manhã seguinte retomar a iniciativa, planejando ocupar o Ministério da Guerra da Baviera. Uma centena de policiais, que permaneceram fieis às forças locais, apesar dos apelos dos nazistas, barram o avanço dos manifestantes nazistas.

Aos primeiros tiros de fogo, os agitadores debandam, o chefe em primeiro lugar. Contaram-se 16 mortos.

Wikimedia Commons – Erich Ludendorff
O ‘‘Putsch da Cervejaria’’ termina com um completo fracasso. O chefe nazista é preso dois dias depois. Ao cabo de um processo tempestuoso, no curso do qual exibe seu talento propagandístico, Hitler é condenado em 1º de abril de 1924 a cinco anos de prisão. Cumpriria apenas nove meses.

Deixa a prisão de Landsberg em 20 de dezembro de 1924 com um manuscrito ditado no cárcere ao seu fiel Rudolf Hess. Nele anuncia seu projeto político para a Alemanha. O título: “Mein Kampf” (“Minha Luta”).

O nacional-socialismo se apresentava como uma alternativa revolucionária ao comunismo bolchevique. Dizia responer às aspirações dos proletários, dos desempregados e dos ‘lumpens’ alemães que rejeitavam seguir os bolcheviques russos, tidos por alguns germânicos como “gente inculta e desprezível”.

Ao pregar um nacionalismo visceral, o partido de Hitler seduzia também numerosos patriotas sinceros, revoltados com o humulhante acordo de Versalhes.

Ao se apresentar enfim como revolucionário e antiparlamentar, o nazismo atrai numerosos intelectuais.

Malgrado sua capacidade, diante da conjuntura, de conquistar adeptos, recorre à violência a fim de aterrorizar adversários. As tropas para-militares do Partido, as SA (Sturm Abteilung ou Destacamentos de Assalto), dirigidas por Ernst Röhm se mostram particularmente agressivas e indisciplinadas. Para contê-las, Hitler forma uma guarda pessoal, as SS (Schutzstaffel ou Escalão de Proteção) sob o comando de Josef Berchtold e posteriormente de Heinrich Himmler.

O partido se desenvolve organizadamente, com numerosos simpatizantes que aportam dinheiro bem como direção e militantes profissionais devotados ao chefe supremo, o Führer.

A ascensão de Hitler ao poder em menos de oito anos deve-se antes de mais nada às circunstâncias e notadamente à crise econômica de 1929, que interrompe a clara recuperação econômica, social, política e cultural da democracia alemã nascida em Weimar dez anos antres.

Com a multiplicação dos desempregados e o decorrente aumento da miséria, o Partido Nazista vê o número de seus aderentes crescer vertiginosamente.

De 176 mil em 1929, o número de filiados ao partido nazista escala a 806 mil em 1931 e a 4 milhões em 1933. Os nazistas não tinham mais que 12 deputados em 1928. Obtem 107 nas eleições legislativas de 1930 e se transformam no segundo partido alemão.

Também nessa data:
399 a. C. – Morre Sócrates, um dos grandes sábios da Antiguidade
1799 – Napoleão Bonaparte dá o golpe do 18 Brumário
1938 – Na ‘noite dos cristais’, nazistas atacam judeus na Alemanha
1965 – O ex-presidente Juscelino Kubitschek parte para o exílio em Nova York 
1989 – Cai o muro de Berlim

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