O tribunal de Munique encerrou definitivamente, esta terça-feira, o processo que envolvia Bernie Ecclestone, acusado de subornar o ex-banqueiro Gerhard Gribkowsky. Para se livrar do julgamento, o “patrão” da Fórmula 1 será obrigado a desembolsar 100 milhões de dólares (74,5 milhões de euros),
Em risco de perder o poder quer ainda detém da fórmula rainha do automobilismo caso fosse julgado e considerado culpado, num caso que poderia condená-lo a uma pena de até dez anos de prisão, Ecclestone fez um acordo extrajudicial com os procuradores do estado da Baviera.
O britânico era acusado, desde abril, de subornar Gerhard Gribkowsky, ex-banqueiro do Bayern LB, para facilitar a participação do banco no negócio da Fórmula 1. A acusação apontava um pagamento de cerca de 33,5 milhões de euros feito por Bernie a Gribkowsky, em 2006.
Os advogados de Ecclestone sempre sustentaram a tese de que seu cliente tinha pago sob chantagem do banqueiro (que presentemente cumpre uma pena de oito anos e meio de prisão, precisamente por ter recebido o dinheiro), mas o certo é que o senhor Fórmula 1 decidiu entrar em acordo e pagar para ficar livre de complicações judiciais.
A sua avançada idade (83 anos) e a complexidade e previsível morosidade do processo terão ajudado a uma rápida conclusão deste caso. Mesmo assim, à saída do tribunal, o britânico confessou que se calhar foi “uma atitude idiota” ter aceitado pagar uma fortuna, acreditando que se o julgamento tivesse seguido os seus trâmites acabaria por sair inocente da acusação. “Enfim, está feito e agora vou à minha vida. Este acordo permite-me fazer o que sei melhor, que é tratar da Fórmula 1”, rematou, citado pela AP.
A porta-voz do tribunal de Munique, Andrea Titz, reforça que “o desfecho não significa uma admissão da culpa por parte do acusado”, antes um acordo após várias reuniões entre a defesa de Ecclestone e os procuradores bávaros.
O montante a desembolsar por Ecclestone será maioritariamente (74 milhões de euros) entregue ao Estado alemão, enquanto os 500 mil euros restantes serão doados a uma organização humanitária de apoio a crianças doentes. O dono da Fórmula 1 há 40 anos tem uma semana para proceder ao pagamento e fechar definitivamente o assunto.
Este género de acordos extrajudiciais, sobretudo envolvendo quantias milionárias, não é muito comum na Alemanha. Admite-se mesmo que os 74,5 milhões de euros combinados sejam uma quantia recorde na história judicial do país. A verdade é que apesar do acordo, uma ex-ministra alemã da Justiça já veio a terreiro criticar a decisão: “A meu ver, chegados a esta dimensão não deve haver negociações com a Justiça”, comentou Sabine Leutheusser-Schnarrenberger em declarações a uma rédio germânica. “Este caso não só cheira mal, como é descarado”, referiu.