Berlim – O estado alemão da Baviera (sul), que detém os direitos de autor de “Mein Kampf” (Minha Luta), anunciou nesta quarta-feira que procura os meios jurídicos para impedir a reedição livre na Alemanha do livro-manifesto de Adolf Hitler, que ficará livre de direitos no fim de 2015.
A investigação legal foi anunciada após uma visita a Israel do chefe de governo deste estado, o conservador cristão-democrata Horst Seehofer, e seu ministro da Cultura, Ludwig Spaenle.
Na visita, os seus interlocutores israelitas manifestaram sua oposição à ideia de que o texto possa voltar a ser vendido em livrarias alemãs, informou à revista Cicero a presidente da comunidade judaica de Munique, Charlotte Knobloch, que acompanhou os políticos bávaros a Israel.
Segundo um porta-voz do Ministério da Cultura, a busca de meios legais para proibir uma reedição original de “Mein Kampf” não impede a publicação de uma versão comentada do livro.
O Ministério bávaro das Finanças, que possui desde o fim da Segunda Guerra Mundial os direitos sobre a obra, quer publicar uma versão comentada em 2015, logo antes da suspensão dos direitos, 70 anos depois do suicídio de Hitler no seu bunker berlinense.
O livro será publicado com comentários de historiadores, que já iniciaram seus trabalhos.
A obra, escrita por Adolf Hitler durante sua passagem pela prisão em 1924 após uma tentativa fracassada de golpe, não é proibida pela lei alemã. No entanto, o governo bávaro cuida para que não seja reeditada e eventualmente explorada por grupos neonazistas.